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O festival Recife Cidade da Música retorna à capital pernambucana nesta sexta-feira (16), para dar início a uma programação musical de oito dias, com atrações gratuitas e abertas ao público. O evento acontece entre 16 e 25 de setembro, levando às ruas do Recife artistas como Alceu Valença, Gerlape Lops, Mombojó e Ave Sangria. 

O Cidade da Música acontecerá em dois polos. O festival começa na Praça do Arsenal, já nesta sexta (16), com uma intensa programação de shows, oferecidos pela Prefeitura do Recife. Entre os próximos dias 21 e 25, mais quatro programações tradicionais da cidade integrarão as atividades, reencontrando seus públicos na Rua da Moeda. Os shows contemplam gêneros como brega e brega funk, música punk, forró, rap e metal. Confira a programação completa: 

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Festival Recife Cidade da Música - 16, 17 e 18, 21, 22, 23, 24 e 25 de setembro

Sexta-feira (16)

Praça do Arsenal 

19h - Lucas dos Prazeres 

20h20 - Mombojó 

21h40 - Cascabulho 

23h - Cordel do Fogo Encantado 

Sábado (17)

15h - Cortejo de agremiações da cultura popular. Saída da Rio Branco, na altura do Banco do Brasil, com destino ao Arsenal, passando pela Rua do Bom Jesus 

Praça do Arsenal 

16h - Fim de Feira 

17h20 - Erica Natuza 

18h40 - Silvério Pessoa 

20h - Larissa Lisboa 

21h20 - Orquestra Malassombro 

22h40 - Ave Sangria 

Domingo (18)

15h - Cortejo de agremiações da cultura popular. Saída da Rio Branco, na altura do Banco do Brasil, com destino ao Arsenal, passando pela Rua do Bom Jesus 

Praça do Arsenal 

16h - Gigante do Samba 

17h20 - Belo Xis/Wellington do Pandeiro 

18h40 - Karynna Spinelli 

20h - Gabi do Carmo 

21h20 - Gerlane Lops 

Quarta-feira (21) 

Moeda 

Cena Peixinhos 

Quinta-feira (22)

Praça do Arsenal 

18h - Isaar 

19h - Forró na Caixa 

20h20 - Almério 

21h40 - Siba 

23h - Alceu Valença 

Moeda 

Hip Hop 

Sexta-feira (23)

Praça do Arsenal 

19h – Lekinho Campos 

20h20 - Os Neiffs 

21h40 - Bateu a Química 

23h - MC Tocha 

Moeda 

PréAmp 

Sábado (24)

15h - Cortejo de agremiações da cultura popular. Saída da Rio Branco, na altura do Banco do Brasil, com destino ao Arsenal, passando pela Rua do Bom Jesus 

Praça do Arsenal 

16h - Nena Queiroga 

17h20 - Maestro Forró 

18h40 - André Rio 

20h - Michelle Melo 

21h20 - Spok 

22h40 - Almir Rouche 

Moeda 

Pré-Amp 

Domingo (25)

15h - Cortejo de agremiações da cultura popular. Saída da Rio Branco, na altura do Banco do Brasil, com destino ao Arsenal, passando pela Rua do Bom Jesus 

Praça do Arsenal 

16h - Bloco Afro Daruê Malungo 

17h20 - Combo X 

18h40 - Devotos 

20h - Faces do Subúrbio 

Moeda 

Pré no Reggae 

 

Para celebrar e confirmar o título de Cidade Criativa na Música, conferido pela Unesco à capital pernambucana, há exatos seis meses, o Recife Antigo será palco para uma intensa e diversificada programação musical, que começa na próxima sexta-feira (6) e só acaba no dia 15 de maio. 

Montado na Praça do Arsenal, pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, o palco Recife, Cidade da Música amplificará as tradições e novidades musicais que emanam da cidade de tantos ritmos, promovendo o reencontro saudoso entre o Recife, suas tantas vozes, festas e seus sempre calorosos públicos.

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Marcando a retomada das celebrações nos espaços públicos, o Porto Musical abre a programação do palco Recife, Cidade da Música, com shows gratuitos nesta sexta (6) e no sábado (7). Reunindo nomes como Rachel Reis, Martins, Bixarte, Zé Manoel e Afroito, Dani Carmesim, Heloísa Aidar e Verônica Pessoa, o evento promete ser um amplificador cultural, oferecendo ainda, a partir do dia 5, conferências e debates. Mais informações: http://portomusical.com.br/.

Do dia 8 ao dia 11, vai ter mais festa e mais música, numa programação montada pelo poder público municipal para celebrar os seis meses do título musical e criativo conferido pela Unesco. Representando a força de nossas tradições, em todos os seus acordes, subirão ao palco Almério, Silvério e o Maracatu Cambinda Estrela, no domingo (8); além de Adiel Luna, Juliano Holanda e convidados, na terça (10).

Na quarta (11), depois da apresentação do Afoxé Oxum Pandá, o palco promoverá um grande encontro para celebrar as divisas musicais brasileiras chanceladas pela Unesco: o frevo recifense, representado por Bia Villa-Chan, receberá o axé de Salvador, trazido por Armandinho, um de seus mais importantes e antigos defensores, para misturar os sons das duas cidades criativas da música e festejar as culturas populares e tradicionais do Brasil, que há décadas se reinventam nas ruas e palcos e tão bem representam e apresentam o país para o mundo.

Entre os dias 12 e 15, encerrando a programação, o palco Recife, Cidade da Música amplificará outro encontro musical importante, recebendo o evento Do Frevo ao Jazz, que reunirá grandes atrações, como Mônica Salmaso, Nelson Ayres e Quinteto da Paraíba, Henrique Albino Quarteto, César Michiles e Transversal Orquestra Frevo, além de Spok Frevo Orquestra e maestro Edson Rodrigues.

Ao longo dos nove dias de programação, serão oferecidos quase 30 shows. E isso é só o começo. Mais um mês marcado pela retomada dos encontros e da fruição, maio promete fortes emoções culturais aos recifenses. Só entre os projetos aprovados no edital Recife Virado, realização da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, mais de 20 eventos e apresentações estarão em cartaz em vários teatros, equipamentos culturais e espaços públicos, até o próximo dia 31, espalhando tradição e festa para todo lado para aplacar nossas saudades culturais.

Cidade Criativa  

A Unesco conferiu ao Recife o título de Cidade Criativa na Música no último mês de novembro de 2021. Com isso, a capital pernambucana passou a integrar a Rede de Cidades Criativas, formada por 295 cidades em 90 países, que tem por objetivo favorecer a cooperação e o fortalecimento da criatividade como fator estratégico de desenvolvimento sustentável, nos aspectos econômico, social, cultural ou ambiental. Recife e Campina Grande, na Paraíba, foram as duas únicas candidaturas brasileiras confirmadas entre as 49 cidades que passaram a integrar a Rede em 2021.

O título foi resultado de um intenso trabalho de escuta de representantes da cena musical recifense e seus variados estilos, ritmos e vocações sonoras, que embasou a candidatura apresentada à Unesco pela Prefeitura do Recife, com chancela da  Comissão Nacional, no primeiro semestre.

PROGRAMAÇÃO PALCO RECIFE, CIDADE DA MÚSICA

Na Praça do Arsenal

Dia 6 (sexta)

Porto Musical

19h30 - Orquestra de Bolso

20h20 - Bixarte

21h10 - Afroito (Part. Tássia Reis)

22h - Luana Flores

22h50 - Martins 

Dia 7 (sábado)

Porto Musical

19h30 – Orquestra de Bolso

20h20 - Programa Asa apresenta Dani Carmesim

21h10 - Zé Manoel

22h - Rachel Reis

22h50 - Baile do Marley (Part. Uana, Rayssa Dias e Gui da Tropa)

Dia 8 (domingo)

15h - Maracatu Cambinda Estrela

16h - Silvério Pessoa

17h20 - Almério

Dia 10 (terça)

18h - Adiel Luna

19h20 - Juliano Holanda e convidados 

Dia 11 (quarta)

18h40 - Afoxé Oxum Pandá

20h - Bia Villa-Chan e Armandinho 

Dia 12 (quinta)

Do Frevo ao Jazz

19h Monica Feijó

20h10 Augusto Silva & Frevo Novo

20h20 Henrique Albino Quarteto 

Dia 13 (sexta)

Do Frevo ao Jazz

19h Renato Bandeira

20h10 Pife Urbano (part. Rafael Marques)

21h20 César Michiles e Transversal Orquestra Frevo

Dia 14 (sábado)

Do Frevo ao Jazz

18h Duo Frevando, com Maria Aida e Nilsinho Amarante

19h10 Laís de Assis

20h20 Mônica Salmaso, Nelson Ayres e Quinteto da Paraíba

Dia 15 (domingo)

Do Frevo ao Jazz

17h Orquestra 100% Mulher

18h10 Rubacão Jazz

19h20 Spok Frevo Orquestra (part. maestro Edson Rodrigues)

 

*Via assessoria de imprensa. 

De alma cosmopolita e ritmo acelerado, tal qual metrópole encantadoramente caótica que é, Recife completa 485 anos neste sábado (12) - mesmo dia em que sua irmã mais velha, Olinda, faz aniversário. Além de ser a capital do estado de Pernambuco, polo médico, tecnológico e gastronômico do Nordeste, o Recife é, também, um berço de história e cultura que encanta e inspira não só os consumidores, mas, e sobretudo, os fazedores de arte.

Principalmente quando o assunto é da música. A capital pernambucana é praticamente uma cidade que canta e em cada canto de sua região metropolitana é possível encontrar os mais diversos gêneros musicais; seja nas caixinhas de som espalhadas pelas residências, na correnteza das águas dos rios Capibaribe e Beberibe e, sobretudo, no ruge-ruge dos moradores e visitantes que transitam pelo louco comércio do centro da cidade. 

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Não à tôa, o Recife foi solo fértil para a criação de importantes movimentos musicais que conquistaram espaço em todo o Brasil e até mesmo fora dele, como o Manguebeat de Chico Science - que transformou a cidade na Manguetown - e o bregafunk, que amplificou a voz e os talentos das periferias recifenses, antes reconhecidas somente pela violência urbana. Tanta efervescência rendeu à capital pernambucana, em 2021, um lugar na Rede de Cidades Criativas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como cidade da música. O grupo de cooperação internacional conta com 49 cidades de todo o mundo divididas em sete categorias culturais. Além do Recife, apenas uma outra, Salvador (BA), representa a música.

O bregafunk e o passinho são expressões tipicamente recifenses. Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagensArquivo

Foi nesse ambiente repleto de diferentes ritmos e expressões culturais que  a  pernambucana Uana Mahin se descobriu artista. Recifense, ela transitou por diferentes partes da região metropolitana da cidade, durante a infância e a adolescência, até chegar em sua atual morada: o bairro de Casa Amarela, na Zona Norte. Antes disso, uma longa temporada como moradora da Várzea - lugar tão mergulhado em atividades musicais que, inclusive, detém seus próprios festivais, como o Festival de Inverno da Várzea (FIV) -, acabou contribuindo para sua incursão no mundo das artes e da cultura popular. 

Uana começou a carreira artística em 2011 como atriz, percussionista e backing vocal. Já cantou com grandes nomes da cultura pernambucana, como Maciel Salú e Adiel Luna, e integrou o Afoxé Oyá Tokolê Owó, do Ilê Asè Agajú Okoloyá, o Terreiro de Mãe Amara. Além disso, fez parte do grupo Sagaranna, com o qual viajou  em turnês pela Europa. Desde 2016, a cantora decidiu apostar numa carreira solo.

Uana se inspira no som que vem das ruas do Recife para produzir a sua própria música. Foto: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

Em entrevista ao LeiaJá, a artista assume que a cidade do Recife tem influência direta em sua escolha de trabalhar com arte. Sobretudo neste momento em que transiciona da cultura tradicional para outro segmento popular: o bregafunk. O bairro de Casa Amarela, onde mora atualmente, tem total participação nesse novo momento de sua carreira. "Essa minha pesquisa surgiu muito quando eu vim morar aqui. Eu moro no centro comercial do bairro e fico tentando entender todos os movimentos: da galera que dança aqui no posto; aprendi a cantar os bregas, aprendi a dançar - eu já tinha uma relação muito forte com a dança, mas comecei a entender o brega de outra maneira e morando aqui nao tem como, você pode até não gostar, mas a gente ouve o tempo todo. Minha relação com a música mudou muito e sinto que isso tem  a ver com essas regiões da cidade”.

As regiões dos quais Uana fala, os altos e morros localizados na periferia do Grande Recife, de fato são um celeiro dos movimentos brega e bregafunk. De lá, saem alguns dos maiores artistas desses dois segmentos, não só cantores e bandas como também os grupos de dança do famoso 'passinho'. Todo esse universo tem inspirado a artista a compor, produzir e a entender não só essa música que vem de fora mas, também, aquela que vem sendo produzida por ela. ”O brega é uma coisa muito potente, cheia de possibilidde: o brega romantico, o brega safado… Recife é uma cidade que atravessa completamente os artistas, nunca lutei contra isso, sempre quis aproveitar de fato o que a  cidade oferece, entender o que os produtores de Casa Amarela fazem”. Em tempo, o brega foi intitulado Patrimônio  Cultural Imaterial da Cidade do Recife em 2021.

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Transitando por esse meio, a cantora vem conseguindo agregar um novo público sem perder aquele que já a acompanhava. Segundo ela, essa integração vem fluindo de forma natural e só enriquece tanto o seu fazer artístico quanto os próprios segmentos dos quais se vale. “Principalmente desse lugar da cultura popular, que tem muitos intelectuais interessados, achei que teria uma resistência dessas pessoas entenderem essa minha migração para uma coisa mais pop e também de assumir o brega. Um dos últimos shows que vi no Coquetel Molotov foi do MC Tróia, e o festival tem esse público alternativo e não tem um distanciamento grande, às vezes é um distanciamento de classe social, mas eu pessoa preta, nascida na periferia, crescida na classe média que tive acesso a escolas de classe média,  eu vejo que é uma fronteira muito menor do que a gente imagina. Quando a gente vai a festas de classe média, a gente vê as pessoas dançando bregafunk. O brega é muito potente, mesmo com tudo indo contra ele , você vê que as pessoas do brega são organizadas, existe uma indústria e ele se popularizou de maneira que a gente não sente mais essa fronteira”.

No Recife, músicos de expressão como Reginaldo Rossi e Chico Science foram eternizados em estátuas. Foto: Arthur Souza/LeiaJáImagensArquivo

Da mesma forma, a cantora revela que foi muito bem acolhida no meio do bregafunk e que além de estar aprendendo muito com seus maiores expoentes, como Shevchenko e Rayssa Dias, por exemplo, sente que os caminhos sempre estiveram abertos para que ela pudesse desenvolver seu trabalho sem o menor problema. “Eu vejo que por eu ter vindo desse lugar (da cultura popular), eu já tinha um trabalho para mostrar. Eu transito mas eu não sou desse lugar, eu não disputo esse espaço.  Eles são macacos velhos da indústria, eles sabem que eu não quero disputar aquele lugar. Para eles, principalmente as mulheres, é muito mais difícil se colocar no mercado, conseguir compor, boa parte das mulheres do brega estão cantando músicas que os homens escreveram e nada contra  a ‘safadeza’, mas que a mulher valide aquilo. Vejo que nesse lugar eu tenho alguma facilidade, mesmo sendo mulher e preta, vejo que tenho um outro respeito".

Para Uana, dificuldade mesmo parece ser, apenas, pensar sobre os limites geográficos. É comum ver artistas locais trocando de CEP para conseguirem viabilizar seus trabalhos. O destino mais procurado costuma ser  a cidade de São Paulo, um dos polos que fazem o país girar.

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A cantora recifense também vislumbra esse futuro, no entanto, assegura que ele está, ainda, um pouco distante. “Tô com esse desejo de me demorar um pouco aqui, até pra conseguir pesquisar e ouvir melhor as coisas, só quem tá aqui consegue ouvir algumas coisas, principalmente nesse lugar do brega. Mas, infelizmente, chega um momento que você não consegue mais circular aqui na cidade. Desde novembro tenho circulado e já toquei em boa parte das casas pequenas daqui, então jaja vai ficar um pouco limitado. Esse ano vou fazer shows importantes mas é difícil negociar um cachê justo, então se você quer crescer infelizmente você precisa ir pra lá. Do meu desejo quero continuar aqui porque eu amo, mas chega um momento que satura, a gente quer voar e não consegue”.

Enquanto esse momento não chega, Uana continua desenvolvendo sua pesquisa e seu trabalho no Recife, a cidade que vem lhe ajudando e inspirando nesse processo criativo. A cantora acaba de lançar um novo single, ‘Sonhei com você’, o primeiro de um EP que chegará em abril, chamado ‘Vidro Fumê’ (ela deu esse ‘spoiler’ especialmente para essa entrevista). Além disso, um álbum também está nos planos para 2022 e, claro, "bastante show”. 

 

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