Maracatus de PE declaram apoio à batuqueiras detidas no PR

Após ação policial que acabou em violência contra o grupo Baque Mulher de Matinhos, no Paraná, nações pernambucanas e grupos de todo o país se pronunciaram em repúdio ao ocorrido

por Paula Brasileiro sab, 25/01/2020 - 11:58
Reprodução A ação policial acabou em truculência e grupos e nações de todo o país se manifestaram em apoio às paranaenses Reprodução

Na última semana, uma ação policial contra o grupo de maracatu Baque Mulher Matinhos, do Paraná, causou a reação de batuqueiros e pessoas ligadas a essa expressão cultural em todo o Brasil. Impedidas de realizar o seu ensaio, algumas integrantes chegaram a ser detidas e tiveram seus instrumentos levados pela polícia. Após as imagens da ação viralizarem na internet, nações pernambucanas, grupos de todo o país e a própria Associação de Maracatus de Pernambuco (Amanpe), se pronunciaram em repúdio ao ocorrido. 

A ação aconteceu na última quarta (22), quando o grupo Baque Mulher Matinhos realizava seu ensaio na Praia Brava (PR). As batuqueiras foram abordadas por cerca de oito policiais militares ordenando o fim do ensaio sob a alegação de que o grupo estaria incomodando os moradores. Os oficiais também apreenderam instrumentos e acabaram detendo três integrantes.  Nas imagens que circularam pela internet é possível ver que a ação termina de forma truculenta, uma das meninas chega a ser chamada de "vadia” . O Baque Mulher Matinhos é um dos representantes nacionais do Baque Mulher, grupo criado no Recife (PE) pela Mestra Joana Cavalcante, única mulher mestra de maracatu nação. 

Após as imagens do caso viralizarem, grupos de maracatu, nações pernambucanas e a Amanpe assinaram nota oficial em repúdio ao ocorrido. "Estamos revoltados com tamanha violência, opressão, ignorância e truculência (mais uma vez) por parte de uma corporação que deveria oferecer segurança, à estas mulheres e à população. Tem que haver reação, mobilização em prol da Cultura e de seus fazedores e fazedoras, tem que haver denúncia, pois é absurdo o que está acontecendo, nos faltam palavras, nesse momento de consternação absoluta"! Assinam a nota grupos de Minas gerais - como o Tira o Queijo e Coletivo Couro Encantado -; do Rio de Janeiro - Rio Maracatu e Tambores de Olokun -; União Européia - União Maracatu e Tumaraca Paris -; e nações pernambucanas - como o Aurora Africana, Raízes de África, Nação de Oxalá e Leão Coroado -; além da Amanpe.  

Confira na íntegra

A ASSOCIAÇÃO DOS MARACATUS NAÇÃO DE PERNAMBUCO - AMANPE, juntamente com INÚMERAS Nações de Maracatu de Pernambuco e diversos coletivos culturais, tais como: Trovão das Minas, Baque de Mina, Tira O Queijo, espaço Gonguê e TODOS os grupos percussivos de Maracatu de Baque Virado sediados em BH/MG, estamos REVOLTADOS com tamanha violência, opressão, ignorância e truculência (mais uma vez) por parte de uma corporação que deveria oferecer SEGURANÇA, à estas mulheres e à população.

Tem que haver REAÇÃO, mobilização em prol da Cultura e de seus fazedores e fazedoras, tem que haver DENÚNCIA, pois é absurdo o que está acontecendo, nos faltam palavras, nesse momento de consternação absoluta!

O Maracatu de Baque Virado (também chamado de Maracatu-Nação) é o mais antigo ritmo afro-brasileiro - Patrimônio Imaterial do Brasil, titulo este concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Temos DIREITOS assegurados por Lei, para exercermos nossas atividades e trabalhos culturais em locais públicos, em plena luz do dia, e, de acordo com Leis, que deveriam ser respeitadas, consta que:

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

"Art. 5º) Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença..."

Prestamos todo nosso apoio e solidariedade às companheiras que foram obrigadas a vivenciar esta violência, mas somente nosso apoio, não basta. Tem que haver DENÚNCIA e REAÇÃO, de todos os grupos culturais, sejam estes do Brasil e do mundo e os coletivos que desejarem assinar esse manifesto, repudiando esse estado opressor, serão muito bem vindos, mais que isso, necessários!

 

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